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A crise econômica brasileira

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por Janguiê Diniz (*) 


O Brasil conseguiu superar sem maiores problemas a crise econômica mundial, ocorrida em 2008 e que afetou gravemente países como os Estados Unidos e a Comunidade Europeia.
Mesmo enquanto a recessão tomava conta das economias capitalistas, o nosso país continuou a crescer. Anos depois, falamos na crise econômica de 2015, não como uma possibilidade, mas sim como um fato consumado.
Desde o início do ano, todos os brasileiros têm escutado, exaustivamente e por diferentes atores institucionais, que é preciso “arrumar a casa”, “cortar e equilibrar gastos públicos”. Infelizmente, a inflação, assim como o dólar, vem aumentando a cada dia e não há perspectiva de investimentos à vista.
Aliado aos problemas econômicos, a crise política, endossada pela sequencia de casos de corrupção, também corrobora com a preocupação de todos.
Desde o fortalecimento do capitalismo, inúmeros países já passaram por crises econômicas com conseqüências. Entretanto, o restabelecimento econômico dos países que viveram tais crises aconteceu de forma gradativa.
Claro que a paralisia econômica brasileira, depois de anos de prosperidade, gera uma frustração na população, como foi confirmado por uma pesquisa do Instituto Ibope, realizada em 141 cidades e publicada em maio deste ano. Os dados revelaram que 36% dos brasileiros estão pessimistas em relação ao futuro do país, e outros 12% estão muito pessimistas. Ou seja, 47% da população está sem esperança sobre o que virá.
As crises econômicas chamam a atenção para as contradições resultantes do capitalismo, um sistema que proporciona oportunidades, mas também desigualdades econômicas. A recente crise que expôs o capitalismo permitiu que a desigualdade social viesse à tona e as soluções para tal problema precisam ser debatidas constantemente.
Não podemos ser pessimistas. O Brasil viveu mais de uma década de bonança. Tivemos um visível crescimento econômico, recebemos investimentos estrangeiros, tivemos a inflação e câmbio sob controle, a oferta de crédito foi facilitada, o salário mínimo foi reajustado, tivemos baixos índices de desemprego, etc.
Infelizmente, isso não é suficiente para manter um país em desenvolvimento. Talvez, se as reformas agrária, política, tributária e estrutural tivessem sido implantadas durante esses últimos 10 anos de crescimento, não estaríamos vivenciando a crise. A reforma agrária tornaria o país menos dependente da exportação de commodities, e mais favorecido pelo mercado interno. Já a reforma tributária, que foi recomendada pelo economista francês Thomas Piketty, priorizaria a produção, e não a especulação.
O ajuste fiscal necessário e tão desejado pelo governo, lentamente, vem sendo colocado em prática. Este ajuste contribuirá para que a economia brasileira volte a ser pujante como em outras épocas. Claro que o momento vivido pela economia do país não é desejado por ninguém, porém, devemos acreditar que a crise é passageira.
Não há como evitar a crise econômica de 2015, mas manter a prudência certamente irá nos ajudar durante todo o período de turbulência. Precisamos ver o lado positivo e avaliar o aprendizado que toda crise traz. Podemos diminuir o ritmo, mas é certo que o Brasil não vai parar.
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* É mestre e doutor em Direito, além de reitor da UNINASSAU/Centro Universitário Maurício de Nassau e presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional, que tem na FIT (Faculdades Integradas do Tapajós), com sede em Santarém, uma de suas unidades.

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