ITAITUBA

Campo Verde e Miritituba denunciam abandono e interditam BR-163

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MANIFESTANTES INTERDITAM A RODOVIA BR-163 NO DISTRITO DE CAMPO VERDE. ELES MANIFESTAM REVOLTA PELO QUE CHAMAM DE ABANDONO POR PARTE DO GOVERNO, E JÁ APRESENTARAM UMA EXTENSA PAUTA DE REIVINDICAÇÕES 

Na sede do distrito de Campo Verde, a 30 quilômetros de Miritituba, o que se vê é uma comunidade em estado de abandono. O comércio está fechado, e o pouco movimento é das carretas que passam em direção aos terminais de transbordo de carga. 


A poeira invade as casas e estabelecimentos comerciais, e a revolta tomou conta da população. Foi por causa disso que as lideranças se uniram para cumprir uma ameaça que fizeram há mais de um mês. Nesta madrugada, um trecho da rodovia BR-163, localizado a dois quilômetros do centro da vila, foi interditado. Ao deflagrar o movimento de protesto, os manifestantes queimaram pneus e usaram toras de madeira para impedir a passagem de qualquer veículo.


Jurandir Alves, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), diz que, em uma primeira manifestação, foi dado prazo de dez dias ao DNIT, para que fosse iniciada a tomada de providências em relação à infra-estrutura das rodovias BR-163 e Transamazônica, nos distritos de Campo Verde e Miritituba. Não houve resposta, e a interdição foi anunciada cerca de vinte dias atrás, como forma de um novo prazo para o governo, para que, pelo menos, fosse manifestado o desejo de negociar a pauta de reivindicações.


Gessy Gerlack, empresária do distrito de Campo Verde, diz que a situação chegou a um nível de insustentabilidade que “ninguém mais quer ouvir promessas do governo, já foram dados prazos, e agora não há mais como simplesmente um telefonema resolver a questão. Todos estão dispostos a se manterem unidos, manifestando sua revolta, mas de forma pacífica, até que seja dada alguma solução”.
Com menos de seis horas de protesto, os efeitos já começam a surgir. A fila de carretas já passa de doze quilômetros nos dois lados da rodovia. “Mas isso já estava previsto.Ao tomarmos a decisão, ainda no início de agosto, lembráramos as compensações que foram anunciadas quando começaram os investimentos em portos no distrito de Miritituba e por conta dos projetos de construção de hidrelétricas no rio Tapajós. Tudo não passou de promessa até o momento, e as comunidades localizadas ao longo da rodovia e na zona de influência estão vendo o tal progresso passar por sua porta, mas não vêem nenhum benefício econômico ou social”, destaca Fred Vieira, que integra o Movimento dos Atingidos por Barragens.


“Até mesmo os mais de três mil empregos anunciados não passaram de quinhentos. A pauta de reivindicações é extensa e expõe necessidades nas áreas da segurança pública, energia elétrica, educação, saúde, infraestrutura e saneamento. Não abrimos mão das nossas reivindicações, e queremos providências imediatas. Estamos preparados, com água e alimento, e prontos para permanecer aqui pelo tempo que for necessário”, diz a sub-prefeita de Campo Verde, Zenaide Rodrigues. Os manifestantes dizem, ainda, que o governo não pode alegar que não sabia do movimento, e não estão limitados a exigir providências do governo federal, mas também do Estado e do município.

Fonte: Mauro Torres / (Fotos Arlyson Sousa)

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