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Depois do curso de Identificação e Processamento Caseiro de Plantas Medicinais oferecido pelo Senar Goiás, aluna ajuda centenas de pessoas

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Remédios do Cerrado

Foi brincando no Cerrado, no município de Caiapônia, no Sudoeste de Goiás, que Lizia Carvalho passou a infância. Ela acompanhava a avó na colheita de folhas, cascas, raízes e frutos das árvores que se transformariam em vários tipos de remédio para as mais diferentes doenças de toda a família e da vizinhança. Lizia cresceu vivenciando o Cerrado como uma grande farmácia natural, tanto que só foi ao médico pela primeira vez quando tinha 17 anos, para dar à luz ao seu primeiro filho. “Quando minha avó buscava as plantas, ela ia me ensinado os nomes, a serventia de cada uma e eu fui memorizando. Me arrisco a dizer que conheço 75% por cento das plantas medicinais existentes no Cerrado”, conta.

Lizia também seguiu a tradição da avó e continuou a fazer muitas garrafadas, nome do composto de várias plantas curtidas em base alcoólica. Mas as técnicas, até então, eram bem rústicas. No entanto, ela conseguiu aliar o conhecimento a práticas mais eficazes de extração e preparo com o curso de “Identificação e Processamento Caseiro de Plantas Medicinais”, oferecido pelo Senar Goiás. “Foi maravilhoso! Eu aprendi as dosagens para as formulações fitoterápicas artesanais, o preparo de tinturas, xarope caseiro, garrafadas, creme de babosa, unguento de plantas e sabonetes medicinais”, explica.

Com as novas técnicas, Lizia diz que foi possível ajudar muitas pessoas. Uma delas, o próprio marido, Jerônimo Batista de Carvalho, que hoje acompanha a esposa em todas as colheitas de plantas. Ele teve câncer de próstata, fez cirurgia, mas não precisou de quimioterapia e radioterapia. “Quando eu descobri a doença, por meio de exame, ela já tinha ido para outras partes do corpo. Imediatamente, minha esposa começou o tratamento com as plantas, como folha da graviola, casca do ipê roxo, entre outras. Eu sabia que não tinha como escapar da cirurgia. Ela foi feita, mas eu não precisei fazer quimioterapia e nem radioterapia. Eu acredito que os tratamentos com as plantas medicinais contribuíram para isso”, revela Jerônimo.

Entre as centenas de pessoas que Lizia conseguiu ajudar está uma senhora de Jataí que tinha muita vergonha das manchas brancas na pele provocada pelo vitiligo e havia tentado vários tratamentos, sem sucesso. “Ela passou a usar um preparado feito com a planta mamacadela, combinada com outras ervas. Dentro de 40 dias, as manchas já haviam se estabilizado e melhorado o aspecto não estando mais tão claras”.

Lizia faz questão de destacar que prepara as fórmulas naturais seguindo rígido controle de higiene e, quando coleta a matéria-prima no Cerrado, faz com todo o cuidado para não prejudicar nenhuma árvore, mesmo porque muitas espécies já não são fáceis de serem encontradas. “Temos que preservar o Cerrado. Eu tiro dali só o que vou usar para não desperdiçar nada. Caso contrário, daqui um tempo não terei matéria-prima. E eu amo receber a resposta das pessoas dizendo que o tratamento deu certo. Esse mês mesmo, fiz duas garrafadas para um casal. O marido e a esposa tinham problema de fertilidade, passaram por vários tratamentos e nada. Mas sonhavam em ter um filho. Pois acredite! Ela nem tomou a segunda garrafada e está grávida”, descreve.

Informação

O curso de Identificação e Processamento Caseiro de Plantas Medicinais foi proposto ao Senar Goiás pela administradora rural, com especialização em fitoterapia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), Miranildes Garcia. Isso foi há 15 anos e, até hoje, ela é uma das instrutoras do treinamento. O objetivo é levar ao homem do campo um socorro imediato com as plantas disponíveis, até que consiga meios de procurar um médico. “Sabemos que, muitas vezes, quem mora em regiões muito distantes da cidade, não tem como consultar um médico com facilidade e nem mesmo acesso aos remédios vendidos nas farmácias. O curso foi proposto para resgatarmos a cultura milenar dos chás, do uso das ervas, mas de forma segura. Desde a identificação correta da planta, observando se o princípio ativo da mesma é compatível com a doença a ser tratada, preparo e dosagem”, explica.

Miranildes destaca que jamais se deve comprar ou pedir a alguém para colher uma planta sem ter certeza de que essa pessoa tenha pleno conhecimento sobre o assunto. “Aquele ditado que diz que ‘se o remédio de planta não fizer bem, mal também não fará’, não é verdade. A planta tem o chamado fitocomplexo, ou seja, vários princípios ativos, que representam o poder medicinal existente. Não se pode tomar qualquer coisa por modismo ou por indicação de uma pessoa leiga. É muito perigoso”, alerta.

Ela enfatiza que a dosagem excessiva também poderá ter efeito colateral severo. “O curso do Senar Goiás é importante, pois além da identificação, ensinamos a maneira adequada de preparo do remédio, pode ser um chá, sumo, vinho medicinal ou tintura. Tudo tem uma técnica especial de preparo e armazenamento. Todo chá por exemplo, não importa se o preparo tenha sido por infusão ou decocção, só poderá ser utilizado e ingerido no mesmo dia. Nada de guardar chá ou sumo de plantas na geladeira de um dia paro o outro dia”, reforça.

Miranildes informa que durante o treinamento do Senar Goiás é feito um Dia de Campo, com visita ao Cerrado. “São mostrados pontos importantes a serem observados nas plantas como a disposição da folha no caule, se ela é par ou alternada, serrilhada ou lisa. A coloração também auxilia nesse processo de identificação, por exemplo, o avesso esbranquiçado ou os dois lados verdes. Esse reconhecimento correto também é o que determina o sucesso ou fracasso do tratamento”.

Segundo ela, outros pontos importantes são o estímulo ao cultivo, a preservação das plantas e do meio ambiente, principalmente durante a coleta. Para isso, reforça a instrutora, é preciso seguir certos cuidados, como nunca retirar todas as folhas de uma mesma planta; se for planta do Cerrado, não retirar todas as raízes; cuidado na retirada de entre casca de árvores de forma a não danificar a árvore; se tiver poucas plantas de uma mesma espécie, não retirar; procurar observar época de floração de cada espécie, buscar cultivar e não só retirar da natureza; e, se for retirar alguma planta, priorizar aquela que as sementes já tenham caído, protegendo aquelas floridas cumprindo assim seu papel na natureza.

Miranildes acrescenta que outro foco do treinamento é a orientação sobre a higiene pessoal, do ambiente de trabalho, dos utensílios utilizados e também das plantas desde a coleta até o processamento final. A comercialização também requer regras. “O curso tem o foco no processamento caseiro. É um resgate daquele uso tradicional do xarope da vovó, como era feito desde a antiguidade. Para vender é um processo rigoroso seguindo normas da Anvisa, contratando um químico responsável para a formulação e o local de preparo também tem rígidas regras para ser seguidas”, esclarece a instrutora.

Uso no Brasil

A história da utilização de plantas medicinais no Brasil vem de influências africanas, indígenas e europeias. Escravos trouxeram várias plantas que eram utilizadas em rituais em diversas doenças e rituais religiosos. Das experiências dos índios que aqui viviam também se aprendeu a usar a rica biodiversidade brasileira. O conhecimento dos pajés a respeito das ervas foi absorvido e repassado de geração em geração fora das tribos. Os primeiros europeus que chegaram ao País também incorporaram esse conhecimento. No século XVI, se tem um importante registro do uso dos fitoterápicos em maior escala. O jesuíta José de Anchieta também desempenhava a função de boticário, uma espécie de farmacêutico, e os remédios eram praticamente todos de plantas medicinais.

Até meados do século XX, as plantas medicinais e seus derivados constituíam a base da terapêutica dos medicamentos. No fim do século XIX, teve início uma fase de desenvolvimento de tecnologias na elaboração de medicamentos sintéticos. Só nos últimos 20 anos, o uso de remédios naturais voltou a ser uma tendência mundial.

Atualmente, as plantas medicinais e os fitoterápicos não são mais considerados apenas terapia alternativa, mas importantes aliados na prevenção de doenças e para uma vida mais saudável. Além do curso Identificação e Processamento Caseiro de Plantas Medicinais o Senar Goiás também oferece o treinamento sobre Cultivo Orgânico de Plantas Medicinais. Para participar procure um Sindicato Rural ou acesse: https://sistemafaeg.com.br/senar/cursos-e-treinamentos.

Comunicação Sistema Faeg/Senar

Fonte: CNA Brasil

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