ITAITUBA

Justiça por Daniele: Família teme impunidade no caso e cobra mais rigor na investigação

Daniele Pinheiro da Silva, 29 anos, vítima.

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

A família da jovem Daniele Pinheiro da Silva, de 29 anos, assassinada na noite do dia 16 de maio, domingo, na 36ª rua do bairro Santo Antônio, em Itaituba, teme impunidade e que o caso caia no ‘esquecimento’ e impere a injustiça.

Em conversa com a redação, a irmã de Daniele, Franciele Pinheiro, relatou que a família e amigos continuam de mãos atadas, tendo em vista que, passada quase uma semana desde a morte da jovem, ninguém foi autuado pela autoria do crime, muito embora a polícia já trabalhe com suspeitas e informações consistentes.

Acerca da atualização de informações sobre as investigações, Franciele comentou que, quando a família procura a delegacia para isso, lhe é solicitada a aguardar o curso do inquérito policial. “Nós temos que ficar indo atrás. Ele não nos passa nada. Dizem apenas para termos calma e aguardar”, frisou.

Ainda assim, Franciele destacou que o caso está perdendo força nas redes sociais no tocante ao pedido de justiça, quando comparado à mobilização que foi feita após a localização do corpo de Daniele, indicador que ela considera uma ameaça para o enfraquecimento da força popular em defesa do caso.

Publicação feita por Franciele Pinheiro no Facebook.

“Temos medo, porque as pessoas não estão mais compartilhando como no começo quando achamos Daniele sem vida”, pontuou. Em face disso, e também para cobrar mais rigor nas investigações, Franciele completou que planeja-se realizar uma manifestação pública. “Vamos à luta por justiça”.

Quem era Daniele Pinheiro?

O desaparecimento repentino e a morte prematura da Jovem Daniele Pinheiro, provocou um sentimento angustiante na família e amigos e criou uma lacuna impreenchível. Para Franciele, a redação perguntou: “Quem era Daniele Pinheiro?”

“Daniele era luz, por onde passava deixava sua marca de amor e carinho, era uma mulher que trabalhava muito e tinha uma filha. Daniele cuidava de sua filha sozinha já que o pai abandonou e desprezou a filha desde criança. Minha irmã nunca fez mal a ninguém, onde chegava contagiava as pessoas com seu sorriso e brincadeiras, fazia amizade muito rápido tanto é que todos seus amigos estão dando apoio nesse momento tão difícil da vida de toda nossa família. Muito carinhosa com a mãe. Ela tinha seus defeitos de ficar com uma mulher que não apoiávamos o relacionamento devido a família dessa mulher ser bem complicado, mas não podíamos fazer nada que a Daniele tinha opinião própria então infelizmente a vida dela acabou assim. Já que esse homem que está sendo apontado como suspeito fazia parte da família dela”, respondeu.

Desaparecimento

Daniele Pinheiro desapareceu na noite do dia 16 de maio. Conforme informações, após sair do trabalho, ela informou por meio de mensagens de WhatsApp que iria comprar um lanche. Decorridas algumas horas, Daniele não retornou à sua residência, o que logo gerou preocupação aos familiares.

Diante disso, as últimas informações colhidas apontaram que Daniele teria sido vista na orla da cidade por volta das 20h30, em posse de sua bicicleta.

Em face de tantas incertezas, o sumiço de Daniele foi comunicado nas redes sociais pela irmã, Franciele, a qual pedia por informações que levassem ao paradeiro daquela. As horas seguintes desde o momento em que Daniele foi dada como desaparecida, foi um período doloroso para a família e amigos, pois cruzavam-se a falta de informações com a impossibilidade temporal de realizar um boletim de ocorrência policial (incompatível com previsão legal).

Foto: reprodução/redes sociais

Por efeito disso, após o registro do B.O, foi criada uma equipe de buscas que saiu a campo no início da manhã do dia 18 de maio, terça-feira, dia em que o corpo de Daniele foi encontrado já em estado de decomposição em um terreno baldio, próximo da residência onde morava com a filha pequena.

“A gente criou um grupo de buscas, e um amigo nosso ligou dizendo que tinha encontrado o corpo. Aí, a gente veio no local reconhecer o corpo. Eu cheguei e reconheci por causa do relógio dela e pela farda […]”, disse  Milena Sussuarana, uma das integrantes da equipe.

Polícia Militar no local onde o corpo foi encontrado. Foto: Weslen Reis/Plantão.

O corpo foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML). Exames científicos devem apontar as causas da morte.

O que já apurou as investigações?

O inquérito policial para apurar a morte de Daniele está sendo presidido pelo delegado Marcelo Diniz. Até o momento, quatro pessoas entraram na linha de investigação.

Após o levantamento de informações acerca do caso, a polícia conseguiu chegar, na segunda feira, a João Victor de Sousa, o qual estava usando o aparelho celular da vítima. Por sua vez, João alegou que teria comprado de Thiago, que teria apanhado o celular de André da Silva Ribeiro.

Diante disso, na noite de quarta-feira (20), uma ação conjunta das Polícias Civil e Militar prendeu André, que passou a ser considerado suspeito de envolvimento no assassinato. Em oitiva, André confessou à polícia ser um dos autores do crime e que teria recebido drogas como pagamento. À imprensa, porém, ele negou.

“Não tenho nada para falar não. Não devo nada. Não fiz nada com a menina. Eles me pegaram porque foi eu que vendi o negócio, mas eu não fiz nada não… Não estou arrependido, porque não foi eu que fiz”, disse.

Valdo, ex-companheiro da atual de Daniele

Valdimar Ferreira Duarte, conhecido por “Valdo”, de 50 anos, ex-namorado de Alessandra Brás Barbosa, de 20 anos, atual companheira de Daniele Pinheiro, apresentou-se na delegacia na tarde de quinta-feira (21).

Acompanhado de um advogado, Valdo negou participação no assassinato, mesmo sendo acusado por André, o qual confessou ser um dos autores e a quem Valdo fez uma corrida no dia e até próximo ao local do crime. Após prestar depoimento, Valdo foi liberado.

Depoimento de André aponta passos do crime

Em seu depoimento, André alegou conhecer Valdimar por sempre comprar drogas do mesmo, e que o homem trabalha de mototáxi para disfarçar a venda de entorpecentes. André relata que dias atrás, Valdo teria lhe pedido para furtar o celular de Daniele, e que pagaria o serviço com drogas. Ele ainda chegou a ser levado na frente da casa de Daniele, mas recusou a proposta.

André da Silva Ribeiro, preso na noite de quarta (20). Foto: Junior Ribeiro

 

No domingo (16), André teria ligado para Valdo, querendo duas “paradas” no valor de 20 reais, pedido esse que foi atendido, e mais uma vez Valdo teria feito a proposta à André para abordar Daniele com o intuito de dizer que o mesmo queria falar com ela. Por isso, ele receberia 20 “paradas” no valor de 20 reais cada.

Os dois teriam descido juntos, e André ficado esperando Daniele no local onde o corpo foi encontrado, enquanto Valdo monitorava a chegada da mesma em frente a Chácara Lazer. Por volta de 20h30, Daniele apareceu e foi abordada por André, argumentando que Valdimar queria falar com ela, logo em seguida o mesmo chegou, a segurou por trás, dando um mata leão em Daniele, que ainda tentou reagir, se debatendo e gritando, mas logo foi contida.

Em continuação, André disse que ele teria pego as pernas de Daniele, e os dois a levaram para os fundos do terreno, o homem relata que deixou os dois no local e ficou na frente do terreno. Em seguida, Valdo teria entregado a bolsa, o celular, e a bicicleta para André, dizendo que era para ele ir para sua casa, tirar o chip do celular, que depois ele iria procura-lo. Ainda segundo André, na manhã de segunda feira (17), ele retornou ao local e viu que Daniele estava morta.

Como consequência, André teria ligado para Valdo para dizer que a mulher estava morta, e teria sido ameaçado pelo mesmo, o qual teria lhe dito que não daria em nada, e que era para ele ficar calado, se não poderia acontecer o mesmo com ele. Sobre os olhos, língua e dedos de Daniele que teriam sido cortados, o acusado disse não ter visto nada.

Segundo informações apuradas, André já tem passagem na polícia por roubo e é usuário de droga. Ele está preso no Centro de Recuperação Regional de Itaituba (CRRI), e deverá responder pelo crime.

O que já se sabe:

– André confessou sua participação no crime, ficou com os pertences da vítima, vendeu a bicicleta por 100 reais, teve o celular tomado, recebeu droga para participar do crime, está preso e deverá responder pelo crime;

– André acusa Valdo de planejar o crime. Valdo nega tudo, foi ouvido em depoimento está em liberdade, tendo em vista que não houve flagrante.

– João Vitor foi encontrado com celular, disse que comprou de Thiago, que por sua vez o tomou de André. João foi detido, ouvido em depoimento e liberado.

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

RELACIONADAS