ITAITUBA

Menina castigada com jejum morre de fome após permanecer 5 meses em cárcere privado

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin


Uma menina de 11 anos morreu por desnutrição decorrente de um jejum na noite de quinta-feira (24) em Ubatuba (SP), segundo a Polícia Civil. A mãe e o padrasto dela foram presos na tarde desta sexta-feira (25) suspeitos de envolvimento na morte da criança. De acordo com a polícia, eles mantinham a vítima em cárcere privado há cerca de cinco meses.
A polícia foi acionada pelo hospital após os suspeitos levarem a garota ao pronto socorro, por volta das 21h de quinta. A polícia trabalha com a informação de que a menina chegou ao hospital já morta e que os médicos atestaram desnutrição e palidez.
A mãe e o padrasto foram presos em flagrante.

Em depoimento nesta sexta a mulher confessou, segundo a polícia, que mantinha a menina em cárcere privado. De acordo com o relato, ela ficava no chão sobre um tapete de EVA (um tipo de borracha) no apartamento da família, no Centro da cidade.

Menina que morreu por desnutrição em jejum em Ubatuba era obrigada a dormir no chão, segundo polícia — Foto: Arquivo pessoal

Ela disse que a vítima ficou trancada em casa durante cinco meses e que era obrigada a jejuar e orar como forma de corrigir e castigar por atos considerados errados, como mentiras. Durante esse período, ela teria saído apenas duas vezes na rua. O irmão dela, de 8 anos, também era submetido a castigos esporádicos.

Segundo a polícia, na última terça-feira (22) a mulher e o marido teriam obrigado a menina a fazer um jejum de dois dias. Só era permitido que ela bebesse água. Na quinta, a criança passou mal e morreu no hospital. Segundo a Polícia Civil, o padrasto permaneceu em silêncio durante o interrogatório.
A mãe, de 26 anos, e o padrasto, de 47, vão responder por tortura com morte, cárcere privado e abandono intelectual.
O irmão da vítima foi encaminhado para um abrigo da cidade e está sob os cuidados do Conselho Tutelar.
De acordo com o delegado Ricardo Mamede, a prática de jejum era uma imposição do padrasto, que aplicava a medida como punição à garota e ao irmão dela, de 8 anos.
“O padrasto tem convicções religiosas, mas não é ligado a nenhuma religião. Ele segue um criador, que diz ser Deus e, na cabeça dele, o salvamento das pessoas só acontece através de jejum. Quando as crianças desrespeitavam, ele aplicava castigos de jejum, que começavam com uma refeição, passava para duas e ia aumentando, até chegar nessa vez que durou dias”, disse.
O jejum de dois dias que causou a morte da criança por desnutrição proteica calórica foi imposto como um castigo por ela ter mentido, segundo o delegado. “No jejum anterior ela ficou pedindo para comer. Quando reclamava de fome, diziam para ela tomar água. Ela disse que tomou água quando foi questionada e por ter mentido que tomou água, elas a puniram”, disse.
O corpo da menina foi enterrado no cemitério municipal de Pindamonhangaba na manhã deste sábado.

G1 Vale do Paraíba e Região

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin

RELACIONADAS