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Policias Civil e Militar prendem 14 traficantes por dia e fecha o cerco ao tráfico de drogas

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Delegado Silvio Maués
Neste domingo (26) foi lembrado o Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para marcar o enfrentamento de um desafio global que, segundo o Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (Unodc), já mata 200 mil pessoas morrem todos os anos em função do consumo de drogas ilícitas. “Desde 2011 o enfrentamento ao narcotráfico se tornou uma das prioridades da segurança pública do Pará. Isso tem surtido grandes resultados, com o aumento significativo do volume de apreensões e prisões ligados a esse tipo de crime. E isso acaba se refletindo em outros números da segurança pública, como crimes contra o patrimônio e contra a vida, que guardam uma relação muito próxima com o problema da dependência da droga e das disputas de territórios e dívidas com o tráfico”, aponta o delegado Silvio Maués, diretor Diretoria de Polícia Especializada da Polícia Civil do Pará.
Em 2015, os agentes do sistema de segurança pública do Estado fizeram 958 operações de combate ao tráfico de drogas no Pará, com apreensão de 1.626 quilos de maconha e 326 quilos de cocaína. Essas operações resultaram em 4.996 prisões – o equivalente a 416 prisões por mês, ou 14 traficantes presos por dia no Pará durante todo o ano de 2015. Apenas nos cinco primeiros meses de 2016, já foram deflagradas outras 416 operações, com 1.788 prisões relacionadas ao tráfico de entorpecentes e um total de 632 quilos de drogas apreendidos. “O desafio do controle do tráfico no nosso Estado é maior que o de outras unidades da Federação, por suas dimensões territoriais e condições geográficas”, ressalta o delegado. 
Por isso mesmo, a Polícia Civil do Pará já está criando a Divisão de Narcóticos, a Denarc, que terá função de centralizar esse enfrentamento e coordenar o combate no interior do Estado, com controle maior de informações. Até final do mês de julho espera-se que o novo espaço físico esteja estruturado. Quando estiver em funcionamento, ele será um avanço para as atividades da atual Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que é a parte da Diretoria de Polícia Especializada que hoje atua para debelar o problema em coordenação com a Diretoria de Polícia do Interior (DPI) e a Diretoria de Polícia Metropolitana, com apoio da Polícia Militar. “É preciso ressaltar que o papel das polícias é o de controle final. Entendemos que, necessariamente, é preciso trabalhar a prevenção como carro chefe do combate às drogas e ao tráfico no Estado”, pondera o delegado Maués. 
Sobre esse outro vértice de atenção ao desafio das drogas no Pará, ele reforça o importante papel do estabelecimento de políticas como as garantidas pelo surgimento do Pro Paz como um programa do Governo do Pará, em 2004, que passou depois a política de Estado e hoje está estabelecido como a Fundação Pro Paz, criada em 2015. “As ações do Pro Paz, dirigindo ações coordenadas do Estado em segurança e na área social, têm tido um grande papel para minimizar o acesso do tráfico e das drogas às zonas onde há maior vulnerabilidade, principalmente entre as populações mais jovens. Quanto maior o alcance desses projetos, com a ajuda dos municípios, maior será o alcance desse braço protetor do Estado no combate aos problemas gerados pelas drogas”.
A educadora Rosemary Nogueira, responsável pela Coordenadoria de Ações Educativas Complementares (Caec), da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), é categórica ao afirmar que o avanço do tráfico no entorno das escolas está mudando o ambiente escolar. “Esse é um problema que hoje tem grande incidência hoje sobre o aprendizado dos alunos. E hoje ele precisa ser tratado dentro do currículo, através de abordagens de temas transversais em diversas disciplinas”, pondera. É esse esforço realizado pelo projeto “Bem Conviver”, que já foi levado pelo Caec e Seduc a 89 escolas do Pará, com oficinas e palestras que envolvem alunos, professores e famílias. A meta é capacitar comunidades escolares para que preparem projetos de enfrentamento aos problemas ligados ao tráfico e à dependência. O projeto chegou a mais dois bairros neste primeiro semestre: Pratinha e Bengui. 
No segundo semestre, a ação chegará ao Guamá e Jurunas. “Tentamos esclarecer os alunos, para que saibam identificar esses abusadores e enxerguem o problema”. Abrir os olhos dos estudantes para os perigos que rondam as escolas também é o esforço da frente paraense do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd). Versão nacional do programa norte-americano Drug Abuse Resistence Education, o Proerd atua no Pará desde 2003. Desde então, já formou aproximadamente 200 mil crianças e jovens no Estado. Nas salas de aula, dez lições são ministradas por policiais militares: são técnicas eficazes para que jovens possam resistir à abordagem do tráfico e à violência causada pelas drogas nas escolas. O programa da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social é gerido pela Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos.
DIREITO À SAÚDE Mas e quando o problema já está instalado, para muito além dos alcances dos esforços de combate e prevenção? Como o Pará está preparado hoje para lidar com a necessidade de atenção aos avanços dos que sofrem com a dependência química – a outra ponta do desafio imposto pelo cenário das drogas no Estado? “Sim, devemos caminhar aliando as ações do Estado para a prevenção, mas não apenas no sentido da prevenção pela ameaça. E essas devem ser políticas geradoras de promoção social, de lazer, esportes, de prazer, como o das danças, de protagonismo juvenil. A polícia tem que fazer o seu papel, mas nada disso vai funcionar sem que a prevenção seja reforçada no sentido de prolongamento da vida e também de promoção do direito básico à saúde”, avalia Marilda Couto, chefe da Coordenação de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa).
Especialista em saúde mental e mestranda em psicologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA), a psicóloga ressalta o papel importante da rede de assistência hoje oferecida pelos Centros de Atenção Psicossocial em todo o Estado, os Caps. Além de 85 Caps instalados em todo o Pará, para atender diversas necessidades de atenção em saúde mental, atualmente o Estado dispõe também de sete Caps AD (especializados em atendimento a dependentes de álcool e drogas): dois estão em Belém e também há unidades em Marituba, Santa Izabel, Santarém, Bragança e Abaetetuba. O Pará já dispõe também de outros seis Caps do nível AD2 – que não oferecem possibilidade de abrigo noturno -, além de dois Caps AD3, aqueles que têm capacidade de internação por até duas semanas ou abrigo noturno. São dois desse tipo em todo o Estado: o Caps Marajoara, instalado no bairro da Marambaia, em Belém, e o Caps de Santarém.
O Pará também conta com duas Unidades de Acolhimento, onde pacientes que precisem de atenção podem ficar até seis meses. Já há duas, em Belém e Santarém. Outra deve ser entregue em Belém ainda este ano, planeja a Sespa. “A filosofia da política de atenção estabelecida hoje pelo Estado é oferecer cuidados de modo que se possa garantir o direito fundamental do acesso à saúde. É preciso que tenhamos mais pontes e menos muros, pois a saúde não combate drogas. Ela trata as pessoas”, ressalta a psicóloga Marilda Couto. “Trabalhamos com a busca da abstinência, mas também principalmente com a chamada redução de danos: trabalhar com o possível e garantir que haja avanço de cada pessoa na recuperação e na busca da sua saúde, para que sua vida possa ir se reorganizando progressivamente. Isso também é uma forma de imunização”, pondera a chefe da Coordenação de Saúde Mental da Sespa. O reflexo disso está em histórias como a de muitos dos atendidos hoje pelo Caps Marajoara, na Marambaia.
O centro de atenção, dedicado totalmente aos cuidados e tratamento de paraenses que lutam contra o vício ligado ao álcool e às drogas, possui cerca de 90 funcionários atendendo cerca de 900 usuários por mês – entre pessoas em tratamento, internados, clientela que busca atendimento clínico e atividades em terapia ocupacional e também familiares e outras pessoas envolvidas nas diversas atividades lá realizadas, como cursos e oficinas. “Quando cheguei aqui, a primeira coisa que perguntaram é se eu tinha tomado café. Não estava mais acostumado com isso”, emociona-se Ubiratan Lopes Monteiro, 54, que esta semana passou a integrar o quadro dos que passaram ao regime de internação para cuidados especiais por duas semanas no Caps Marambaia. 
Ex-gerente do jogo do bicho, há três anos ele passou a morar nas ruas, após ter contato com a cocaína. Quando tomou contato com a droga, ainda ostentava carros de luxo. Hoje vive pedindo ajuda nos sinais de São Brás e Entroncamento. “Já dormi embaixo do viaduto, no Chapéu do Barata. Hoje estou matando um leão por dia, e é uma vitória que só se consegue com apoio de alguém, com ajuda de outros”. A mão estendida veio de alguém que também passou pelos mesmos problemas e conseguiu ajuda no mesmo CAPS da Marambaia. “Sou usuário e também passei pela necessidade de tratamento interno. Hoje estou muito melhor e me sinto na obrigação de ajudar outros que passam pelo que eu passei”, conta Raí Filho, 36. Ex-paciente do Caps Marajoara, Raí segue ajudando nas atividades diárias na Marambaia. Conheceu Ubiratan quando também estava nas ruas. Quando voltou a estruturar sua vida, num avanço que significou poder contar de novo com um teto próprio, Raí acolheu o amigo em sua própria casa, enquanto o colega aguardava vaga para conseguir apoio no Caps. “Aqui somos todos iguais, não importa de onde você venha ou qual o seu problema. Essa casa está aberta e você é acolhido. E isso é uma grande diferença quando se está precisando de ajuda”, sorri.

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