ITAITUBA

Quem matou Winglya? Completando 2 anos, caso segue tramitando na Justiça e deixa família a espera de resposta

Winglya Aboim Lopes, 27 anos, vítima. Fotos: reprodução/redes sociais.

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O caso da jovem Winglya Aboim Lopes, de 27 anos, que completa 2 anos neste domingo, 9 de maio, dia no qual foi registrado o seu desaparecimento, segue tramitando na Justiça pelas vias legais e instâncias competentes, com base no ordenamento jurídico brasileiro.

A data em que a família, amigos e a sociedade em geral terá uma resposta concreta para a seguinte interrogação: “Quem matou Winglya?”, ainda é incerta.

Em conversa com a redação, a delegada especializada em Atendimento à Mulher, Gessyca Araruna, que presidiu todo o procedimento, afirmou que a fase de investigação encerrou-se no início do ano de 2020 e o caso passou a correr na Justiça, da qual deve vir a decisão final.

Com fundamento nos elementos de provas levantados no curso do Inquérito Policial, dado os consistentes indícios de autoria e materialidade, a delegada afirmou que o ex-marido da vítima, Arlyson Ferreira de Souza, foi indiciado pelos crimes de feminícidio e ocultação de cadáver. “Agora é esperar o julgamento na justiça”, destacou.

Enquanto isso, a família tem de conviver com a inexistência de resolução do caso que seja capaz de apontar quem assassinou Winglya e qual a real motivação para o crime, ainda desconhecida.

Para fins de abordagem geral do caso, apresentar-lhe-emos uma cronologia dos fatos, desde o desaparecimento da jovem, perpassando por atos públicos, até a confirmação da morte dela por meio da identificação científica dos restos mortais encontrados em local de mata.

Desaparecimento 

A jovem Winglya Aboim desapareceu misteriosamente no dia 9 de Maio de 2019. Segundo informações, as últimas pessoas que a teriam visto, foram uma vizinha – a qual estivera na casa da jovem para entregar-lhe um convite de aniversário, e a proprietária de um salão de beleza.

Diante disso, o sumiço foi imediatamente comunicado na delegacia de Polícia Civil, que adotou procedimentos de início de buscas em campo. Com isso, houve a mobilização de policiais civis e militares, familiares, amigos e outras pessoas que se voluntariaram com o intuito de localizá-la.

 

Todavia, após dias consecutivos de diligências desenvolvidas em localidades próximos de onde Winglya residia com o ex-marido e o filho pequeno, no residencial Campo Belo, em Itaituba, nenhum vestígio da jovem foi encontrado. Com isso, ao passo que os dias iriam passando e a expectativa de encontrá-la com vida diminuindo, a aflição da família e amigos só aumentava.

Manifestações

Diante de tantas incertezas e em face da falta de respostas céleres por parte de autoridades policiais, familiares e amigos realizaram diversas manifestações públicas, tanto após o desaparecimento quanto quando foi confirmado a morte da jovem.

O primeiro ato público foi realizado na tarde do dia 22 de Maio de 2019 em frente ao prédio da 19ª Seccional de Polícia Civil de Itaituba, cerca de 13 dias após o registro do desaparecimento de Winglya. Com cartazes contendo frases imperativas e de petição, o grupo pedia mais agilidade nas buscas e questionava a ausência do ex-marido da jovem para prestar depoimento.

Manifestação em frente ao prédio da delegacia de Polícia Civil de Itaituba. Foto: reprodução.

Além do mais, também houve manifestação na Câmara Municipal de Itaituba no dia 25 de Maio de 2019, período em que Winglya já estava desaparecida há mais de duas semanas. Na ocasião, os pais da jovem usaram a tribuna da casa para reforçar o pedido de ajuda e por mais consistências nas investigações.

Manifestação na Câmara Municipal. Foto: Weslen Reis – Plantão

Ainda assim, na tarde do dia 14 de junho do mesmo ano, data em que já circulava rumores de que a ossada humana encontrada no dia anterior se tratava da jovem, sobretudo em face dos fortes indícios identificados pelos familiares, realizou-se uma passeata por algumas vias públicas da cidade, passando pelo Fórum da Comarca de Itaituba e estendendo-se, novamente, até ao prédio da delegacia de Polícia.

Ossada humana encontrada 

Ninguém sabia do paradeiro da jovem até o dia 13 de Junho de 2019, quando uma ossada humana foi encontrada por um caseiro às margens da Rodovia Transamazônica BR-230 – aproximadamente uns 30 metros dentro da mata, na comunidade Vila Rayol, entre os municípios de Itaituba e Jacareacanga.

Na data, supôs-se que o material humano assemelhava-se com algumas características da jovem, dado os fortes indícios encontrados, como roupas, aparelho ortodôntico, arcada dentária e cor de cabelo. Na região do crânio, inicialmente, foram identificadas algumas perfurações.

Restos mortais encontrados na comunidade Vila Rayol. Foto: reprodução

Desta forma, a ossada foi removida pelo Instituto Médico Legal (IML) e encaminhada para realização de exame de DNA na capital Belém-PA. Decorrido quase um mês, o resultado foi divulgado no dia 11 de Julho e confirmou, com bases nos dados genéticos obtidos, que os restos mortais eram realmente da jovem desaparecida.

Resultado do exame de DNA feito na capital Belém. Foto: reprodução.

Principal suspeito

Na época, diante do sumiço, Arlyson Ferreira de Souza, ex-marido da jovem, ainda chegou a falar sobre o desaparecimento, dizendo que ela teria saído de casa durante a madrugada do dia 09, com uma certa quantia em dinheiro que teria apanhado de sua carteira. 

Com base no andamento das investigações, ele passou a ser figurado como o principal suspeito do crime de feminícidio praticado contra  Winglya, com a qual teve um filho que hoje tem 4 anos de idade. Informações da família apontam que o relacionamento entre ambos era agitado.

Dias após o desaparecimento da ex-companheira, Arlyson viajou com o filho pequeno para a cidade de Manaus, no Amazonas, de onde seguiu para um município no Maranhão.

 

No dia 18 de Junho, após informações apontarem que a criança estaria na casa da avó paterna em Boa Vista, Roraima, a advogada da família materna entrou com um pedido de busca e apreensão na Vara de Infância e Juventude. Deferida, a medida foi executada por um Oficial de Justiça com a apoio da PM e a criança foi recuperada e retornou para o município de Itaituba.

Mandado de prisão temporária

Diante disso, um mandado de prisão temporária ainda chegou a ser expedido pela Justiça contra Arlyson, todavia, no dia 16 de Outubro de 2019, foi revogado; o que causara protesto por parte da família da vítima.
 
Documento de revogação do mandado. Foto: reprodução

Na época, a revogação ocorreu por meio de uma decisão Interlocutória proferida pelo juiz de Direito – respondendo pela Vara Criminal de Itaituba, Dr. Liberio Henrique de Vasconcelos.

De acordo com a delegada Gessyca Araruna, Arlyson chegou a prestar depoimento no mês de outubro de 2019 e negou todas as acusações.

Suposto episódio de ameaças

No dia 14 de junho de 2019, em meio às especulações de que a ossada humana encontrada era de Winglya, uma amiga dela concedeu uma entrevista à imprensa local relatando um suposto episódio de ameaças feitas pelo ex-marido das quais Winglya teria sido vítima.

“Ele tinha feito uma situação que ele nunca tinha feito, que estava assombrando ela. Foi o fato dele chamar ela pra dá uma volta em uma estrada deserta onde ela não sabia onde era. Lá, ele fez ameaças pra ela” disse.

E continua “Ele saiu do carro, e ela ficou dentro do carro com o filho. Então ele começou a chamar ela de maneira agressiva, para que ela saísse do carro, dizendo que ia matar ela. Ela me contou isso chorando, desesperada, assustada. Depois disso que eu entendi, que ela me contando aquilo, o medo tava dominando ela” finalizou.

Dias das Mães e injustiça

Desde o desaparecimento da filha, as comemorações tradicionais, em especial a do Dias das Mães, mudou completamente para Eunice Aboim Lopes, mãe de Winglya. O sentido e a essência não são mais os mesmos, isso por conta de que, além de ser filha e irmã, Winglya também era mãe.
Em uma publicação feita nas redes sociais, Eunice reforçou a incomensurável dor que sente todos os dias pela perda da filha, e sublinha o que mais desejaria na data comemorativa de Dia das Mães ao passo que, incansavelmente, reitera seu clamor por Justiça.
“Eu poderia escrever tudo o que eu ouço e o que eu estou vivendo, mas não tenho mais coragem e nem forças para escrever. Sabe qual o presente que eu gostaria de ganhar nos dias das mães? Era que a justiça e o assassino pagasse pelo crime bárbaros que cometeu. Esse seria o meu presente e de todos as mães que perderam suas filhas, eu não vou desistir de lutar por justiça. Meu coração está sangrando ainda muito mais” descreveu. 
Em um compartilhamento de publicação mais recente, na tarde desta sábado (08), Eunice volta a lamentar a injustiça dizendo que “Amanhã vai completar dois anos sem você, minha filha. Meus dias não são os mesmos, não há mais felicidade como era ,apenas dor, saudades e muito sofrimento. Que raiva eu tenho dessa injustiça que estão fazendo comigo e com o bem mais precioso que ela deixou (se refere ao filho de 4 anos)”, pontua.
Inteirando 2 anos do caso Winglya Aboim, ninguém foi preso e o desfecho ainda é imprevisível, o que nutre ainda mais os sentimentos de dor e aflição sentidos pela família e amigos.

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