sábado, fevereiro 21, 2026

Suspeito de abusar da própria filha em Monte Alegre é mantido preso; novas vítimas procuram delegacia

Mulher de 40 anos relata abuso sofrido na infância e Polícia Civil anuncia abertura de novos inquéritos.

A prisão de um homem suspeito de abuso sexual contra a própria filha, em Monte Alegre, ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (20). Após o caso vir a público, outras possíveis vítimas procuraram a Delegacia de Polícia Civil para relatar situações semelhantes envolvendo o mesmo investigado.

O suspeito havia sido preso na última terça-feira (17), após seis dias de buscas na zona rural do município. Ele foi localizado em área de mata na comunidade de Açaizal por equipes do 18º Batalhão da Polícia Militar, com apoio do setor de inteligência.

Após a captura, o homem foi apresentado na delegacia e passou por audiência de custódia. A Justiça decidiu manter a prisão.

Transferência para Santarém

De acordo com o delegado Wellington Kennedy, o investigado deverá ser encaminhado para a Central de Triagem Masculina de Santarém, onde permanecerá à disposição do Judiciário enquanto as investigações seguem em andamento.

“O nacional acusado passou pela audiência de custódia, sendo mantida a prisão. Ele será transferido para Santarém. Além disso, deixamos em aberto para que eventuais vítimas que tenham notícias de fatos anteriores procurem a Delegacia de Polícia Civil”, afirmou o delegado.

A Polícia Civil do Pará informou que novos procedimentos serão instaurados para apurar as denúncias recentes registradas contra o suspeito.

Mulher de 40 anos relata abuso na infância

Entre as novas denúncias está a de uma mulher, hoje com 40 anos, que decidiu procurar a polícia após saber da prisão. Em depoimento, ela relatou que sofreu abuso quando tinha apenas 12 anos.

Segundo a vítima, o episódio deixou marcas profundas que a acompanham até hoje. Sem se identificar, ela afirmou que convive há décadas com impactos emocionais.

“Eu nunca consegui esquecer. É uma coisa que me machucou muito e machuca até hoje. Tenho muitos transtornos”, relatou.

Ela contou que, na época, não denunciou por medo. De acordo com o depoimento, o suspeito fazia ameaças contra familiares, o que a levou a guardar silêncio por anos.

“Ele dizia que, se eu contasse para a minha família, poderia fazer mal ao meu pai e aos meus irmãos. Por esse motivo, eu não conseguia dormir. Tinha muito medo”, afirmou.

A mulher revelou ainda que só conseguiu falar sobre o caso com a família no ano passado. Antes disso, enfrentou crises de ansiedade e chegou a deixar a própria casa diversas vezes para evitar encontrar o suspeito, já que morava próximo a ele.

Ao saber da prisão recente, decidiu formalizar a denúncia. Segundo ela, por muito tempo carregou o sentimento de culpa por não ter falado antes.

Polícia vai abrir novos inquéritos

Conforme o delegado Wellington Kennedy, outras pessoas também já compareceram à delegacia relatando possíveis situações envolvendo o mesmo investigado.

“Algumas pessoas já compareceram relatando outras práticas. Vamos abrir novos inquéritos policiais para apurar essas condutas”, informou.

A Polícia Civil reforça que eventuais vítimas podem procurar a delegacia para registrar ocorrência. O atendimento pode ser feito de forma reservada, com garantia de sigilo.

Fonte: g1 Santarém

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