A Polícia Civil divulgou, nesta quarta-feira (29), detalhes da investigação sobre a morte de Dayse Diniz, de 25 anos, que estava desaparecida desde a noite da última quinta-feira (23) e foi encontrada morta em uma área de mata na comunidade São Brás, na região do Eixo Forte, em Santarém, no oeste do Pará. O principal suspeito foi preso e confessou o crime.
O desaparecimento da jovem havia sido registrado na 16ª Seccional Urbana de Polícia. A partir do boletim de ocorrência, equipes da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), Superintendência Regional, Núcleo de Inteligência Policial (NIP), Polícia Militar e Corpo de Bombeiros iniciaram uma força-tarefa para localizar a vítima.
Durante entrevista coletiva, o superintendente regional da Polícia Civil, delegado Jardel Guimarães, afirmou que as investigações começaram logo após o registro do desaparecimento, mas terminaram de forma trágica com a localização do corpo.
“Gostaríamos que tivesse um desfecho mais feliz, mas infelizmente tivemos esse desfecho trágico”, afirmou.
Segundo o delegado, as diligências realizadas pelo NAI permitiram identificar rapidamente o autor do crime.
“A Polícia Civil trabalha incansavelmente em investigação. Todos os fatos que chegam ao nosso conhecimento são devidamente apurados. Queremos repudiar crimes dessa natureza. Em menos de dez dias tivemos, em tese, três feminicídios, e todos eles foram elucidados”, destacou.
Como o crime aconteceu

Polícia detalha dinâmica da morte de jovem encontrada em área de mata em Santarém — Foto: Blog do Tabocal
De acordo com a delegada Mila Moura, responsável pela investigação, Dayse não conhecia o suspeito antes da noite em que desapareceu.
As investigações apontam que ela conheceu uma pessoa durante um encontro em uma chácara localizada na comunidade São Brás. O suspeito já estava no local e permaneceu na propriedade durante toda a noite.
Segundo a delegada, não havia qualquer vínculo entre os dois.
“Ele não tinha nenhum tipo de relação com a vítima. Conheceu ela naquele dia e não deu nenhuma explicação para o crime. Apenas disse que havia bebido muito e que cometeu o homicídio”, afirmou.
Tentativa de criar um álibi

Dayse Diniz estava desaparecida desde a última quinta-feira — Foto: Divulgação/Redes Sociais
A Polícia Civil revelou ainda que, dias após matar Dayse, o suspeito praticou um roubo sem utilizar arma de fogo com o objetivo de ser preso e tentar afastar as suspeitas sobre o feminicídio.
Conforme a delegada Mila Moura, o homem confessou que agiu de forma proposital.
“Ele fez isso intencionalmente. O assalto não tinha arma, não tinha nada. Ele simplesmente ameaçou as pessoas porque queria ser preso. Sabia que poderia ser morto ficando fora e acreditava que seria solto em pouco tempo. Seria um álibi”, explicou.
No momento da prisão pelo roubo, o suspeito apresentou um nome falso, identificando-se como “Sidney”. Após investigações, a Polícia Civil confirmou que sua verdadeira identidade é João Pedro Pereira dos Santos.
Condenado por outro feminicídio

João Pedro já condenado por outro feminicídio e estava foragido do Sistema Prisional — Foto: Reprodução
Com a identificação correta, os investigadores descobriram que João Pedro era foragido do sistema prisional do Pará e cumpria pena por um feminicídio cometido anteriormente no município de Uruará.
“Após descobrir a verdadeira identidade, verificamos que se tratava de uma pessoa foragida do presídio da capital do Estado, condenada por feminicídio praticado no município de Uruará”, informou o delegado Jardel Guimarães.
Perícias continuam
A Polícia Civil informou que, até o momento, não há indícios de participação de outras pessoas no crime.
Sobre a possibilidade de violência sexual, a delegada Mila Moura informou que os exames periciais irão esclarecer as circunstâncias da morte.
“As perícias vão dizer o que realmente aconteceu. Pela investigação e por tudo o que colhemos de provas, não existem outras pessoas envolvidas nesse crime”, afirmou.
O suspeito permanecerá preso e responderá pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver. O inquérito será conduzido pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam).
A delegada Márcia Rabelo destacou que este é o terceiro caso de feminicídio esclarecido pela Polícia Civil em cerca de 15 dias.
“A Delegacia da Mulher enfrentou incansavelmente esses casos. Hoje podemos informar à população que todos os três feminicídios foram elucidados com o apoio das demais unidades da Polícia Civil”, concluiu.
Fonte: g1 Santarém
