Na tarde da última terça-feira (5), por volta das 16h, uma criança de 7 anos sofreu um engasgo com um osso de frango durante o intervalo da merenda escolar em uma escola municipal de Itaituba, no sudoeste do Pará.
De acordo com a mãe do menino, a professora responsável agiu com rapidez e levou o aluno à Unidade de Pronto Atendimento (UPA). No entanto, mesmo após ser atendido, o caso não foi resolvido devido à ausência de equipamento adequado, e o menino foi encaminhado ao Hospital Regional do município.
Na segunda unidade, a situação persistiu. A mãe afirma que foi informada de que o hospital prioriza apenas atendimentos de trauma em casos emergenciais, sendo então orientada a procurar o Hospital Municipal. Na terceira tentativa, uma radiografia foi realizada, mas não localizou o corpo estranho. Foi somente após insistência da mãe que a equipe prescreveu um exame de endoscopia — o qual teria que ser agendado por meio do posto de saúde, um processo que levaria tempo.
Durante todo esse período, a criança permanecia com dores, salivação intensa, chorando e sem conseguir comer ou beber água. Diante da urgência, a família recorreu ao atendimento particular.
Segundo o relato, uma médica particular, mesmo fora de seu horário de trabalho, aceitou atender o menino e realizou uma ultrassonografia, sem sucesso na localização do osso. Diante da gravidade, ela o encaminhou a outro profissional, que também interrompeu seu horário de descanso para realizar o atendimento completo. O menino foi internado por precaução, pois o osso havia causado uma lesão no esôfago, mas agora se encontra em casa, em recuperação.
Em um desabafo nas redes sociais, a mãe agradeceu aos profissionais da rede particular e fez duras críticas à estrutura da saúde pública:
“Para que servem os impostos tão altos que pagamos se, quando mais precisamos, não temos um atendimento digno? Dessa vez foi com meu filho. Amanhã, pode ser com o seu.”
Ela ainda revelou o medo de que a situação evoluísse para algo mais grave:
“Tive muita sorte. O osso ficou preso no esôfago e conseguiram remover a tempo. Mas imaginei o pior. Não existe maior medo de uma mãe do que perder um filho.”
O caso reacende o debate sobre a segurança alimentar nas escolas públicas, a supervisão durante o horário de merenda, e as constantes falhas no sistema de urgência e emergência da rede pública de saúde em Itaituba.
A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informa que o paciente foi avaliado pela equipe de enfermagem, que constatou um quadro estável. A equipe também orientou a família sobre o local mais adequado para o atendimento específico do caso. A Sespa esclarece ainda que o Hospital Regional do Tapajós (HRT) não é unidade de porta aberta para atendimentos gerais, e recebe demandas espontâneas nas especialidades de trauma e obstetrícia de alto risco. Os demais atendimentos são encaminhados exclusivamente via regulação.
Fonte: Plantão 24horas News
