sexta-feira, janeiro 23, 2026

Intervenção precoce faz diferença na vida da criança autista e da família

Entenda como o acompanhamento ainda na infância e o acolhimento familiar influenciam no desenvolvimento da criança com TEA

Em setembro deste ano, o Ministério da Saúde divulgou novas orientações sobre o cuidado com crianças no Transtorno do Espectro Autista (TEA), recomendando a realização de testes de sinais de autismo entre 16 e 30 meses como parte da rotina de acompanhamento do desenvolvimento. O foco da iniciativa é possibilitar a atuação precoce, considerada fundamental para autonomia e interação social futura.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o diagnóstico de autismo no Brasil ocorre, em média, entre os 4 e 5 anos. Esse atraso na identificação do transtorno é motivo de preocupação para especialistas, que apontam que, quanto mais cedo ele for realizado, maiores são as chances de a criança melhorar seu funcionamento cognitivo e adaptativo.


A diretora clínica denver do Núcleo de Autismo do Espaço Cel, Aline Alves, explica que, devido à neuroplasticidade que ocorre na primeira infância, o trabalho de intervenção precoce favorece a capacidade do cérebro de se moldar e reorganizar suas conexões neurais. “Através das novas experiências vividas na infância, a criança terá a oportunidade máxima para o desenvolvimento de habilidades que farão a diferença em toda sua vida”, informa.

Esse trabalho pode ser auxiliado por uma avaliação neuropsicológica, que permite mapear funções cognitivas como linguagem, memória, raciocínio, atenção e habilidades motoras, fornecendo informações necessárias para o diagnóstico e o tratamento. 

Sinais de alerta podem ser visto desde os primeiros meses

Considerando que a identificação precoce dos sinais de autismo é fundamental para garantir que a criança receba o suporte necessário para o seu desenvolvimento, é necessário que pais, familiares e responsáveis estejam atentos aos sinais desde o primeiro ano de vida do bebê

De acordo com a SBP, aos 6 meses, é possível observar sintomas como a falta de expressões faciais, ausência de sorriso social e baixo contato ocular. Além disso, a criança pode apresentar pouco engajamento sociocomunicativo.

Aos 9 meses, os sinais se tornam mais evidentes e incluem a ausência de troca de turno comunicativa, quando a criança não responde ou interage com os outros durante uma conversa, e a falta de balbucios de sons típicos como “mamã” e “papa”. Além disso, o bebê não costuma olhar quando é chamado ou quando o adulto aponta para algum lugar.

A SBP acrescenta, ainda, que aos 12 meses, a ausência de balbucios continua, assim como a falta de gestos convencionais – como abanar para dar tchau –, e de atenção compartilhada. Já a partir dos 2 anos, comportamentos do corpo e também com objetos podem ficar mais repetitivos, além de baixo contato visual, poucas atitudes comunicativas e maior dificuldade em regular emoções negativas.

Ao perceber esses sinais, é importante que os pais procurem um especialista para uma avaliação mais detalhada. A busca por ajuda profissional pode ser feita por meio de indicações ou pesquisa na internet. No Google, é possível filtrar por localidade a partir de termos como “clínica para autismo em São Gonçalo”, por exemplo, para encontrar serviços mais próximos.

Suporte à família e importância do acolhimento

O suporte à família também é fundamental para o sucesso no tratamento precoce de crianças com autismo. O Ministério da Saúde, em sua nova Linha de Cuidado para o TEA, destaca a importância do acolhimento e da orientação aos pais e cuidadores.

Alves corrobora essa proposta. “É importante oferecer rodas de conversa com assuntos que ajudarão na rotina familiar, desde temas jurídicos quanto técnicos para ajudar na implementação dos objetivos terapêuticos em casa. Reuniões com orientações claras e grupos de apoio podem, também, trazer muitos benefícios para os familiares, como terem tempo para cuidar de si mesmos.”

A especialista alerta que a família precisa ter um compromisso diário em estimular a criança ou adolescente, estando atenta aos comportamentos, interagindo com a equipe que a acompanha, seguindo as orientações dos profissionais e buscando conexões contínuas.

“É preciso potencializar o aprendizado e fortalecer o vínculo familiar. A construção de um ambiente seguro com rotinas consistentes também irá ajudar muito para um aprendizado adequado em casa”, recomenda.

A atuação do pediatra no suporte à família também é destacada pela Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ). Além de identificar sinais, encaminhar para o diagnóstico e fornecer orientações sobre terapias, é importante que ele estabeleça um vínculo com os cuidadores e encoraje os questionamentos, considerando que a qualidade das informações pode repercutir positivamente na forma como o problema é enfrentado. 

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