segunda-feira, março 9, 2026

Ribeirinhos denunciam impactos de dragagem no Rio Amazonas em Juruti

Comunidades relatam mortandade de peixes, canais bloqueados e dificuldades de acesso; MPF abre investigação sobre atuação de mineradora.

Ribeirinhos de Juruti, no oeste do Pará, denunciaram ao Ministério Público Federal (MPF) os impactos causados por uma dragagem realizada no Rio Amazonas. Segundo moradores, os sedimentos lançados na água têm provocado a morte de peixes, alterado a qualidade da água e fechado canais essenciais para a navegação e o acesso das comunidades ribeirinhas à cidade.

A dragagem de manutenção, feita desde 2023 por uma mineradora que atua no município, tem como justificativa a estiagem severa, que obstrui canais e prejudica o transporte de cargas e pessoas. No entanto, ribeirinhos afirmam que a área dragada aumenta a cada ano e que os impactos ambientais vêm se intensificando.

Na Ilha Maracaçú, a cerca de 100 metros do local da dragagem, dez famílias relatam dificuldades com a lama acumulada e a mortandade de animais aquáticos. “Antes pescava Surubim em frente de casa, agora não consigo mais”, disse o pescador Joilson Batista, que também denuncia o risco de acidentes provocados pelas ondas dos navios.

Na Ilha Santa Rita, distante cerca de quatro quilômetros da operação, moradores afirmam que um canal de acesso está fechando devido ao acúmulo de sedimentos. O lavrador Elisson Guimarãesrelata que a viagem até Juruti, que antes durava 2h30, agora pode chegar a sete horas.

Apesar de parte das famílias receber compensação financeira, a Associação das Comunidades Afetadas pela Dragagem contesta os estudos ambientais apresentados pela empresa. “Os estudos são insuficientes para embasar um licenciamento”, afirmou o professor Everaldo Portela, da UFOPA.

MPF investiga

O MPF instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis danos socioambientais e verificar se foi respeitado o direito das comunidades à Consulta Livre, Prévia e Informada, prevista pela Convenção nº 169 da OIT. Entre as medidas, estão a coleta de documentos e laudos técnicos, reuniões com lideranças e análise da licença ambiental da mineradora.

O outro lado

A mineradora informou, em nota, que a dragagem é feita dentro da legalidade, com monitoramento 24 horas por uma equipe técnica e acompanhamento de um comitê que reúne empresa, comunidades e órgãos públicos. A empresa reforçou que os sedimentos são depositados em áreas autorizadas e que não há geração de rejeitos.

Fonte: G1 Santarém

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