O homem que sobreviveu após ser baleado pelo próprio filho durante uma tragédia familiar em Alenquer, no oeste do Pará, falou pela primeira vez sobre os momentos de terror vividos na noite de quinta-feira (22 de outubro de 2026). Em entrevista à imprensa, André Pereira relatou a dor de perder a esposa e o filho e afirmou acreditar que uma das filhas precisou agir para preservar a própria vida.
O episódio ocorreu na comunidade de Patuazal, região do Mamiá, localizada a aproximadamente 110 quilômetros da sede do município. Segundo a Polícia Civil, Max William da Silva Fagundes, de 19 anos, atacou a mãe, Eide Dalila Silva, com golpes de terçado, atirou contra o pai e posteriormente ameaçou as duas irmãs.
Durante a entrevista, André demonstrou sofrimento ao recordar o ocorrido e lamentou a perda de dois integrantes da família na mesma noite.
“Eu não queria perder nenhum dos meus filhos, né? Mas como ele já tinha matado a mãe dele numa crueldade dessa, né? Ele poderia matar as duas também”, declarou.
Pai foi baleado ao tentar entender o que havia acontecido
André contou que estava trabalhando quando recebeu a informação de que o filho havia atacado a mãe. Após ser avisado por uma das filhas, seguiu de motocicleta até o local.
Ao chegar à comunidade, chamou pelo nome do jovem, mas acabou surpreendido por um disparo de arma de fogo.
“Quando eu cheguei, chamei pelo nome dele, aí ele deu o tiro”, relatou.
Mesmo ferido, André conseguiu fugir e buscar abrigo na residência de um vizinho. Posteriormente, insistiu em acompanhar o socorro da esposa, que ainda apresentava sinais de vida.
O casal foi transportado em uma ambulância, mas Eide não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu durante o percurso, nas proximidades da região conhecida como Perpétuo.

Tragédia em Alenquer deixou saldo de duas mortes e um ferido. — Foto: Redes sociais
Menina de 12 anos foi obrigada a atirar contra o irmão
Um dos momentos mais delicados do caso envolve a participação de uma criança de apenas 12 anos.
Conforme as investigações, Max William teria ameaçado matar as duas irmãs e obrigado uma delas a utilizar uma arma de fogo contra ele.
Segundo o relato do pai, o jovem teria feito uma ameaça direta às meninas.
“Ou vocês me matam, ou eu mato vocês duas”, teria dito Max William, conforme André.
Diante das ameaças, a irmã de 12 anos efetuou o disparo que atingiu o jovem, que morreu no local.
André afirmou que ficou profundamente abalado ao receber a notícia da morte do filho, mas acredita que as meninas também poderiam ter sido vítimas do ataque.
Pai relata comportamento do filho antes da tragédia
Na entrevista, André também comentou sobre a convivência familiar. Segundo ele, Max William era o filho mais velho e trabalhava desde criança, mas passou a apresentar mudanças de comportamento ao longo dos anos.
O pai afirmou que continuava ajudando o jovem financeiramente, fornecendo alimentos, roupas e outros itens necessários. Também relatou que o filho tinha o hábito de inalar gasolina.
Apesar das dificuldades, André declarou que os desentendimentos familiares não eram frequentes.
Ele contou ainda que mantinha um relacionamento de aproximadamente 20 anos com Eide e que, após a tragédia, pretende concentrar seus esforços na recuperação dos ferimentos e nos cuidados com as filhas.
Polícia Civil investiga o caso
A Polícia Civil instaurou um inquérito para esclarecer as circunstâncias do ataque, incluindo as ameaças relatadas e a morte do jovem.
O Conselho Tutelar também foi acionado para acompanhar a criança envolvida na ocorrência e garantir o atendimento necessário diante do trauma.
O caso provocou comoção na comunidade rural de Patuazal, onde a família residia.
Fonte: g1 Santarém
