A Polícia Civil do Pará deflagrou, na manhã desta sexta-feira (30 de outubro de 2026), a Operação Rastro Oculto, que resultou na prisão preventiva de Samanta Brenda Cardoso, funcionária do Banco da Amazônia (BASA), investigada por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de recursos financeiros de clientes idosos da instituição, em Novo Progresso, no sudoeste do Pará.
A prisão ocorreu por volta das 6h30, durante o cumprimento de mandados judiciais de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos no decorrer das investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia Civil de Novo Progresso.
Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram após a denúncia de um idoso que identificou movimentações financeiras não autorizadas em sua conta bancária, resultando em um prejuízo de R$ 138.977,66.
Conforme apurado pelos investigadores, a funcionária teria se aproveitado da relação de confiança estabelecida com o cliente para cadastrar o aplicativo bancário da vítima em um aparelho celular próprio. A partir disso, teria realizado sucessivas transações financeiras sem autorização.
Durante o trabalho de investigação, que envolveu análise de movimentações bancárias, imagens de câmeras de segurança e levantamentos de inteligência, a polícia identificou indícios de que parte do dinheiro desviado teria sido utilizada para compras pessoais.
Entre os produtos identificados está um iPhone 17 Pro Max, de 512 GB, avaliado em R$ 9.890, que teria sido adquirido em Novo Progresso. Os investigadores também identificaram viagens realizadas pela suspeita, que passaram a integrar a apuração sobre sua movimentação financeira.
Investigação aponta outras possíveis vítimas
Com o aprofundamento das investigações e mediante autorização judicial para quebra dos sigilos bancário e telemático, a Polícia Civil identificou indícios de que outras pessoas também possam ter sido prejudicadas.
Entre os casos identificados está o de outro idoso, que teria sofrido um prejuízo de R$ 49.950.
Somados, os valores atribuídos às fraudes contra as duas vítimas chegam a R$ 188.927,66. A polícia investiga movimentações financeiras de valores elevados que podem indicar a existência de outras vítimas e um prejuízo ainda maior.
Suspeita foi monitorada em diferentes localidades
De acordo com a Polícia Civil, após tomar conhecimento das investigações e de seu afastamento das atividades bancárias, a investigada deixou Novo Progresso e passou a se deslocar por diferentes localidades.
Inicialmente, os investigadores identificaram seu possível paradeiro em uma região ribeirinha de difícil acesso, no município de Abaetetuba, no nordeste do Pará.
Uma operação chegou a ser planejada para o dia 2 de novembro, com apoio de equipes policiais da região. Entretanto, o monitoramento permitiu identificar a presença da investigada no Aeroporto Internacional de Belém, na quarta-feira (28).
Posteriormente, foram identificados deslocamentos por Guarulhos, em São Paulo, e Sinop, em Mato Grosso, o que levou à articulação com a Polícia Civil mato-grossense.
Na tarde de quinta-feira (29), a investigada foi localizada em uma área rural de Castelo dos Sonhos, distrito de Altamira, no Pará.
Segundo a polícia, a estratégia foi realizar a prisão em Novo Progresso, permitindo o cumprimento simultâneo dos mandados de busca e apreensão.
Operação investiga quatro crimes
A operação também teve como objetivo apreender aparelhos celulares e outros materiais que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos e a identificação de possíveis novas vítimas.
A investigada é suspeita, em tese, dos crimes de peculato, inserção de dados falsos em sistema de informações, lavagem de dinheiro e estelionato, possivelmente praticados de forma continuada.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar a extensão do suposto esquema, rastrear os recursos financeiros e esclarecer a possível participação de outras pessoas.
A prisão preventiva tem natureza cautelar e não representa condenação. A responsabilidade criminal da investigada dependerá da conclusão das investigações e da análise da Justiça.
Fonte: Plantão 24horas News
