quarta-feira, novembro 4, 2026

Itamaraty ainda não recebeu confirmação oficial da morte de jovem paraense na guerra da Ucrânia

Família de Hendrick Lima Gonçalves, de 22 anos, natural de Tucuruí, tenta localizar o corpo e viabilizar o traslado ao Pará; governo brasileiro presta assistência consular.

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informou, nesta terça-feira (3 de novembro de 2026), que ainda não recebeu uma notificação oficial das autoridades ucranianas sobre a morte do paraense Hendrick Lima Gonçalves, de 22 anos, que, segundo familiares, morreu durante um combate na guerra entre Rússia e Ucrânia.

Natural de Tucuruí, no sudeste do Pará, Hendrick teria morrido no dia 30 de outubro, enquanto participava de uma missão militar em território ucraniano. A família recebeu a notícia no dia seguinte, 31 de outubro, e desde então busca informações sobre a localização do corpo e a possibilidade de trazê-lo de volta ao Brasil.

Em resposta à reportagem, o Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Kiev mantém contato com os familiares e presta assistência consular.

“O Ministério das Relações Exteriores não recebeu até o presente momento notificação oficial sobre o caso das autoridades ucranianas. O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Kiev, está em contato com a família do brasileiro, a quem presta assistência consular”, informou o ministério.

Família enfrenta dificuldades para localizar o corpo

Segundo os familiares, Hendrick participava de uma missão em uma região de intensos confrontos quando teria morrido. A situação de insegurança na área dificulta as buscas e a recuperação do corpo.

Até a última atualização, não havia confirmação sobre a localização exata do corpo, sua liberação pelas autoridades ucranianas ou uma possível data para o traslado ao Pará.

O jovem, que passou parte da infância no bairro Paravoá, em Tucuruí, também serviu no 23º Esquadrão de Cavalaria de Selva, unidade do Exército Brasileiro sediada no município, antes de seguir para a Ucrânia.

Itamaraty explica limitações da assistência brasileira

O Ministério das Relações Exteriores esclareceu que brasileiros que ingressam nas Forças Armadas da Ucrânia firmam contratos com o governo daquele país e ficam sujeitos à legislação ucraniana.

Dessa forma, a atuação direta do governo brasileiro é limitada pelas normas internacionais e pelas condições de segurança nas regiões de combate.

Apesar da assistência consular prestada à família, o Itamaraty não detalhou se existem medidas específicas em andamento para localizar o corpo de Hendrick ou possibilitar seu retorno ao Brasil.

Guerra na Ucrânia já deixou 36 brasileiros mortos e 117 desaparecidos

De acordo com dados divulgados pelo Itamaraty, o conflito entre Rússia e Ucrânia já registra 36 brasileiros mortos e 117 desaparecidos em combate, conforme notificações oficiais recebidas pelo governo brasileiro.

Entre os mortos, 34 integravam forças ucranianas e dois atuavam pelo lado russo. Já entre os desaparecidos, 107 estavam vinculados às forças da Ucrânia e dez às da Rússia.

Os números ainda não incluem necessariamente o caso de Hendrick, uma vez que o governo brasileiro informou não ter recebido a confirmação oficial de sua morte.

Diante do aumento da participação de brasileiros no conflito, o Ministério das Relações Exteriores reforçou os alertas sobre os riscos do alistamento em forças militares estrangeiras.

Em setembro de 2026, o governo brasileiro atualizou uma orientação consular recomendando que cidadãos brasileiros recusem propostas de trabalho ou recrutamento para participar de conflitos armados no exterior.

Enquanto aguarda informações oficiais, a família de Hendrick Lima Gonçalves continua buscando respostas sobre as circunstâncias da morte e a possibilidade de realizar o sepultamento do jovem em sua terra natal.

Fonte: Plantão 24horas News

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