Mesmo com o repasse de aproximadamente R$ 1 bilhão em recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2021 e 2024, a gestão do ex-prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, é alvo de denúncias sobre retenção de verbas destinadas à rede pública de saúde. As acusações apontam que atrasos nos repasses federais teriam provocado dificuldades financeiras em hospitais conveniados, comprometendo a oferta de serviços à população.
Entre os casos citados está o fechamento do Hospital Anita Gerosa, unidade filantrópica que funcionava como maternidade 24 horas e referência para gestações de alto risco no município. Segundo as denúncias, a instituição encerrou as atividades após acumular uma dívida superior a R$ 3,7 milhões em valores que deveriam ter sido repassados pela prefeitura. A situação também teria afetado o Centro de Hemodiálise Ari Gonçalves e o Hospital das Clínicas de Ananindeua (HCA), que, conforme o texto, manteve o atendimento ao SUS após apoio do Governo do Estado.
MPPA pediu intervenção na saúde
Diante da crise, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) ingressou com uma Representação Interventiva no Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), solicitando intervenção estadual na saúde pública de Ananindeua. Conforme o órgão, a medida foi motivada por supostas irregularidades na gestão dos recursos e pelo impacto causado na assistência à população.
De acordo com as investigações mencionadas pelo MPPA, hospitais e clínicas conveniados enfrentavam atrasos nos pagamentos enquanto pacientes teriam sido direcionados ao Hospital Santa Maria. O ex-prefeito Daniel Santos é citado nas investigações por ter sido sócio formal da unidade e também é investigado sob suspeita de manter vínculo indireto com a instituição. As apurações ainda estão em andamento e não há decisão judicial definitiva sobre o caso.
As denúncias também fazem referência a investigações relacionadas ao Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará (Iasep), que apuram possíveis irregularidades envolvendo direcionamento de pacientes e suposto superfaturamento de insumos hospitalares.
Até o momento, não houve condenação definitiva contra Daniel Santos em relação aos fatos mencionados. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa do ex-prefeito.
