sexta-feira, julho 31, 2026

Governo do Pará homologa situação de emergência em Aveiro após derramamento de óleo no Rio Cupari

Decreto estadual reconhece gravidade do desastre ambiental provocado pelo tombamento de uma carreta na BR-230 e mantém emergência por 180 dias para ampliar ações de assistência às comunidades afetadas.

O Governo do Pará homologou a situação de emergência decretada pelo município de Aveiro em razão dos impactos provocados pelo derramamento de óleo após o tombamento de uma carreta bitrem na BR-230 (Transamazônica). O decreto estadual, publicado nesta sexta-feira (31), reconhece oficialmente a gravidade do desastre ambiental e mantém a situação de emergência por 180 dias, permitindo ao município ampliar o acesso a recursos e medidas de apoio às comunidades atingidas.

O acidente ocorreu no dia 25 de junho de 2026, no quilômetro 110 da Transamazônica, entre os municípios de Itaituba e Rurópolis. A carreta transportava cerca de 50 mil litros de óleo, distribuídos em dois tanques, e tombou às margens da rodovia. Com o impacto, uma grande quantidade do produto vazou, atingindo os igarapés Tinga e Impiranga, de onde foi levada pelas águas até o Rio Cupari e afluentes do Rio Tapajós, ampliando a área de contaminação.

De acordo com o decreto municipal, agora homologado pelo Estado, o desastre provocou graves impactos ambientais, sociais e econômicos. Comunidades rurais e ribeirinhas que dependem do Rio Cupari tiveram o acesso à água comprometido e sofreram prejuízos nas atividades de pesca artesanal, transporte fluvial, turismo, agricultura familiar e outras atividades ligadas aos recursos hídricos.

A Prefeitura de Aveiro também destaca que a contaminação elevou o risco à saúde pública, já que muitas famílias utilizam a água dos rios para consumo, higiene e atividades domésticas. O decreto ainda alerta para os riscos relacionados ao consumo de peixes capturados nas áreas atingidas, devido à possibilidade de contaminação por resíduos químicos presentes no óleo derramado.

Os prejuízos econômicos também motivaram a decretação da emergência. Segundo o município, a suspensão da pesca afetou diretamente o abastecimento de pescado para a sede de Aveiro e comunidades da região do Rio Cupari, causando impactos no comércio local e na renda de centenas de famílias.

Com o reconhecimento estadual, a Defesa Civil poderá reforçar as ações de atendimento às populações atingidas. O decreto autoriza a mobilização de órgãos públicos, a convocação de voluntários, campanhas de arrecadação de donativos e, em casos de risco iminente, o uso de propriedades particulares e o acesso a imóveis para realização de ações de socorro e proteção da população, conforme previsto na legislação.

Enquanto não forem concluídos os laudos dos órgãos ambientais e instituições de pesquisa, permanece proibido o consumo da água do Rio Cupari e de seus afluentes para abastecimento humano, higiene, dessedentação de animais e atividades domésticas. A pesca comercial, artesanal, esportiva e de subsistência também seguirá suspensa até que estudos técnicos comprovem a ausência de contaminação na água e nos organismos aquáticos.

O decreto determina ainda que a empresa responsável pelo acidente arque integralmente com as medidas de assistência às comunidades afetadas. Entre as obrigações estão o fornecimento contínuo de água potável, distribuição de alimentos e cestas básicas, apoio financeiro a pescadores e demais trabalhadores prejudicados, custeio do monitoramento ambiental da água e do pescado, além da divulgação dos resultados das análises às comunidades atingidas. O texto ressalta que essas medidas não substituem a obrigação de reparar integralmente os danos ambientais, sociais, econômicos e à saúde pública decorrentes do desastre.

Com a homologação da situação de emergência, Aveiro poderá solicitar apoio complementar dos governos estadual e federal para fortalecer as ações de resposta ao desastre, assistência às famílias afetadas e recuperação das áreas impactadas.

O caso segue sendo acompanhado pelas prefeituras de Aveiro e Rurópolis, pelas secretarias municipais de Meio Ambiente dos dois municípios, pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), pelo ICMBio e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A reportagem solicitou um posicionamento da Semas sobre os impactos ambientais provocados pelo acidente na região e aguarda retorno.

Fonte: g1 Santarém 

RELACIONADOS

Mais Visualizados