Incêndios florestais de grandes proporções têm atingido diferentes municípios do oeste e sudoeste do Pará nos últimos dias, provocando destruição de áreas de vegetação, ameaçando propriedades rurais e colocando residências em risco. As ocorrências mobilizam equipes do Corpo de Bombeiros, brigadistas, empresas e moradores que tentam impedir o avanço das chamas.
Em Juruti, um incêndio atinge uma área de mata às margens da rodovia PA-192, na altura do km 47, nas proximidades das instalações da mineradora Alcoa. O fogo começou na quarta-feira (7) e mobilizou equipes de emergência da empresa. Por segurança, animais do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) foram transferidos para outra unidade. Segundo a Alcoa, não houve registro de feridos.
Na região da BR-163, moradores relataram que uma queima de pastagem teria saído do controle nas proximidades do km 140, avançando até o km 145, próximo à comunidade São Mateus. Em Belterra, na comunidade São Jorge, as chamas atingiram uma extensa área de vegetação e se aproximaram de residências, levando moradores a organizar uma força-tarefa para proteger os imóveis.
Bombeiros de Itaituba, Santarém e Altamira atuam no combate
Na região entre Uruará e Placas, equipes do Corpo de Bombeiros trabalham há pelo menos três dias no enfrentamento dos incêndios, após solicitação da Defesa Civil de Uruará.
Militares de quartéis de Itaituba, Santarém e Altamira participam das operações, que também contam com apoio de proprietários rurais. A grande extensão territorial, as condições de estiagem e os fortes ventos dificultam o controle das chamas.
Na região do Chapadão, bombeiros enfrentaram fumaça intensa e baixa visibilidade durante o combate. Em determinados pontos, foi necessário utilizar técnicas de queima controlada para criar barreiras e impedir que o fogo avançasse sobre áreas que precisavam ser protegidas.
O sargento Júlio César Galúcio, do Corpo de Bombeiros de Santarém, divulgou imagens nas redes sociais mostrando a dimensão da destruição provocada pelos incêndios. Ele também alertou que troncos e outros materiais podem continuar queimando e produzindo fumaça durante vários dias, mesmo após o controle das chamas.
Satélites identificam focos de calor em vários municípios
Dados do sistema FIRMS, da agência espacial americana Nasa, apontam registros de focos de calor em municípios como Itaituba, Rurópolis, Placas, Uruará, Novo Progresso e Jacareacanga, além de áreas próximas à Floresta Nacional do Tapajós.
Também foram identificados registros em Oriximiná, Óbidos, Alenquer e Monte Alegre. Os focos detectados por satélites indicam possíveis ocorrências de incêndio, mas precisam de confirmação para determinar a situação em cada localidade.
Queimadas preocupam pela destruição ambiental e pelos riscos à saúde
Além dos prejuízos ambientais e da morte de animais silvestres, os incêndios contribuem para o aumento da fumaça que compromete a qualidade do ar em municípios da região do Tapajós.
A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos, tosse, dificuldades respiratórias e agravamento de doenças, principalmente em crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
O Corpo de Bombeiros reforça a importância de evitar queimadas para limpeza de terrenos, pastagens ou descarte de lixo, especialmente durante o período de estiagem. Pequenos focos podem se espalhar rapidamente e provocar incêndios de grandes proporções.
As equipes permanecem mobilizadas nas áreas atingidas, enquanto moradores aguardam o controle definitivo das chamas.
O alerta é para toda a população: provocar queimadas coloca em risco não apenas a floresta e os animais, mas também a saúde e a vida de milhares de pessoas que convivem diariamente com os efeitos da fumaça.
Fonte: g1 Santarém
