sexta-feira, março 13, 2026

Polícia Civil alerta para aumento de casos de stalking após duas prisões em Rurópolis

Crime de perseguição tem registrado crescimento nas denúncias em 2025 e 2026; vítimas, em sua maioria mulheres, têm rotina afetada e polícia orienta como agir.

Após duas prisões de homens suspeitos de praticar stalking — crime de perseguição repetitiva — neste mês de março, em Rurópolis, no sudoeste do Pará, a Polícia Civil emitiu um alerta sobre o aumento desse tipo de ocorrência no município.

De acordo com o delegado Ariosnaldo da Silva Vital Filho, houve um crescimento significativo no número de denúncias registradas na delegacia local ao longo de 2025 e 2026. Segundo ele, a maioria dos casos tem como vítimas mulheres, que acabam tendo a rotina alterada por conta da perseguição.

Um dos suspeitos foi preso preventivamente nesta semana durante a operação “Visitas de Proteção”. Conforme a Polícia Civil, o caso teve início no fim de 2025, quando a vítima procurou a delegacia relatando que o ex-companheiro não aceitava o término do relacionamento.

Segundo a denúncia, o homem passou a ameaçá-la e, após ser bloqueado em aplicativos e redes sociais, criou perfis falsos para manter contato e monitorar o círculo de amizades da vítima.

O outro caso ocorreu no início deste mês de março. Uma mulher denunciou um vizinho por invadir a casa dela. Ainda segundo a polícia, o suspeito também a monitorava nas ruas e no ambiente de trabalho. Ele foi preso e colocado à disposição da Justiça.

De acordo com o delegado Ariosnaldo Vital Filho, os primeiros registros desse tipo de crime em Rurópolis ocorreram em 2024.

“Os primeiros casos foram registrados em 2024 quando, em um deles, um dos autores passou a monitorar a sua vítima no local de trabalho, em um auto posto de combustível, frequentando e abastecendo nos dias e horários em que a denunciante trabalhava, com a intenção de ter contato e fazer propostas amorosas à vítima”, relatou o delegado.

Em outro caso registrado em 2024, mesmo após decisão judicial determinando que o investigado se mantivesse afastado da ex-companheira, ele teria encontrado uma nova forma de contato: passou a realizar transferências via Pix de valores irrisórios, como R$ 0,01, para enviar mensagens ofensivas depois de ter sido bloqueado em aplicativos e redes sociais.

Nos dois casos de 2024, os suspeitos foram indiciados, e um deles acabou preso.

O que é stalking?

A Polícia Civil reforça que o crime de stalking está previsto na Lei 14.132/2021, que tipifica como perseguição reiterada qualquer conduta que ameace a integridade física ou psicológica da vítima, restrinja sua locomoção ou invada sua privacidade.

Entre os comportamentos mais comuns, segundo a polícia, estão:

• envio constante de mensagens;

• ligações insistentes ou obscenas;

• monitoramento em redes sociais;

• criação de perfis falsos;

• envio de presentes indesejados;

• aparecimento inesperado em locais frequentados pela vítima.

A polícia também chama atenção para o uso do Pix como ferramenta de perseguição, quando o agressor utiliza transferências de pequenos valores, como R$ 0,01, para enviar recados após ser bloqueado em outros meios de comunicação.

A pena para o crime de stalking é de 6 meses a 2 anos de reclusão, podendo ser aumentada quando a vítima é mulher por razões da condição do sexo feminino, criança, adolescente ou idoso.

Como a vítima deve agir

Segundo o delegado Ariosnaldo Vital Filho, a principal orientação é que a vítima não se cale e procure ajuda o quanto antes.

A recomendação é reunir o máximo de provas possíveis, como:

• prints de mensagens;

• áudios;

• e-mails;

• vídeos;

• registros de ligações;

• testemunhas;

• atas notariais, quando possível.

Além disso, a Polícia Civil orienta que a vítima:

bloqueie o agressor e interrompa qualquer comunicação direta;

registre boletim de ocorrência em uma delegacia ou Delegacia da Mulher (DEAM);

solicite medidas protetivas, inclusive com base na Lei Maria da Penha, quando cabível.

Em situações de perigo iminente, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo número 190.

Fonte: Plantão 24horas News

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