O Pará poderá eleger, nas eleições de outubro, a primeira mulher indígena do estado para ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Alessandra Korap Munduruku disputa uma vaga de deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com o número 1388.
Até hoje, nenhuma mulher indígena nascida no Pará ocupou uma das 17 cadeiras destinadas ao estado na Câmara Federal. A candidatura ocorre em um estado que possui 80.974 indígenas, segundo dados do Censo Demográfico de 2022.
Alessandra Korap Munduruku ganhou projeção nacional e internacional pela atuação na defesa dos territórios indígenas, dos povos originários e do meio ambiente na Amazônia. Em 2023, recebeu, nos Estados Unidos, o Prêmio Goldman de Meio Ambiente, uma das principais premiações internacionais na área ambiental. O reconhecimento destacou sua mobilização contra o avanço da mineração em territórios indígenas na Amazônia.
Em 2020, Alessandra também foi a segunda brasileira a receber o Prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos, em reconhecimento à sua atuação na defesa dos direitos dos povos indígenas.
A liderança Munduruku também participou de mobilizações relacionadas à educação no Pará, entre elas o movimento contrário à Lei nº 10.820, medida que foi alvo de protestos por possíveis impactos na oferta de ensino presencial em comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e rurais.
As manifestações incluíram a ocupação da sede da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc), que durou 32 dias. Alessandra também mantém atuação em mobilizações relacionadas à proteção dos rios amazônicos e contra projetos considerados prejudiciais aos territórios e às comunidades tradicionais.
Neste ano, esteve entre as lideranças envolvidas na ocupação do terminal da Cargill, em Santarém. A mobilização, iniciada em janeiro, permaneceu por 33 dias.
A candidatura também amplia o debate sobre a representatividade indígena nos espaços de decisão política e sobre pautas como demarcação de terras, saneamento básico, acesso à água potável, atendimento de saúde no interior, educação, alimentação escolar, licenciamento ambiental e enfrentamento à violência contra as mulheres.
No cenário nacional, Joenia Wapichana tornou-se, em 2018, a primeira mulher indígena eleita deputada federal no Brasil. Nas eleições de 2022, a representação indígena feminina no Congresso Nacional foi ampliada com a eleição de novas parlamentares.
Fonte: @portaluruatapera
