Um professor investigado por crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual contra crianças e adolescentes foi preso preventivamente pela Polícia Civil nesta terça-feira (11), em Santarém, no oeste do Pará. Segundo a corporação, pelo menos oito possíveis vítimas já foram identificadas durante as investigações.
O suspeito trabalhava como professor na comunidade Pedra Branca, na região do rio Tapajós. A prisão ocorreu após meses de apurações conduzidas por equipes da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), com apoio da Superintendência da Polícia Civil.
De acordo com a delegada Mila Moura, do NAI, as investigações começaram após uma vítima procurar a polícia e relatar que teria sido abusada pelo professor. A partir desse primeiro relato, os investigadores aprofundaram as diligências e identificaram outras possíveis vítimas.
“Inicialmente tivemos uma vítima que veio aqui relatar o que havia ocorrido e, durante as investigações, nós descobrimos que outras meninas também eram vítimas dele”, explicou a delegada.
Ainda segundo a Polícia Civil, foram localizados procedimentos anteriores relacionados ao investigado.
Crimes teriam ocorrido dentro da escola
Conforme as investigações, os crimes teriam acontecido tanto dentro quanto fora do ambiente escolar. A maior parte dos relatos, segundo a delegada, estaria relacionada a situações ocorridas dentro da escola.
Entre as condutas investigadas estão a exibição de vídeos de conteúdo sexual para alunas dentro da sala de aula, toques sem consentimento e insinuações de natureza sexual.
A polícia também apura situações que teriam ocorrido fora da unidade escolar. Segundo as autoridades, algumas vítimas teriam demorado a procurar ajuda por medo ou por se sentirem acuadas diante do comportamento do professor.
Suspeito teria tentado fugir
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva do professor. O pedido foi deferido e, após a expedição do mandado, equipes iniciaram as diligências para localizá-lo.
Segundo a polícia, ao tomar conhecimento da ordem judicial, o investigado deixou a área urbana de Santarém na tentativa de evitar a prisão.
Equipes do NAI realizaram diligências e levantaram informações sobre a possível rota de fuga. O homem acabou localizado escondido em uma comunidade da região.
Ele foi preso e conduzido para os procedimentos cabíveis. Posteriormente, foi encaminhado ao sistema penitenciário, onde permanece à disposição da Justiça.
Polícia investiga se há outras vítimas
A delegada Márcia Rabelo informou que o inquérito ainda não foi concluído e que a Polícia Civil continua trabalhando para verificar se existem outras possíveis vítimas.
Até o momento, as investigações apontam para pelo menos oito vítimas, mas o número pode aumentar caso novas pessoas procurem as autoridades.
“Se tiver mais vítimas, que venham até a delegacia”, pediu a delegada.
Márcia também orientou pais e responsáveis a ficarem atentos a mudanças de comportamento ou relatos feitos por crianças e adolescentes.
A delegada Mila Moura reforçou o pedido para que possíveis vítimas procurem a Polícia Civil. Segundo ela, algumas pessoas teriam tido medo de denunciar anteriormente, inclusive devido à influência da família do professor na comunidade onde os fatos teriam ocorrido.
Após a divulgação da prisão, uma mulher que teria sido vítima do professor quando ainda era adolescente procurou a delegada. Atualmente maior de idade, ela teria relatado que não conseguia seguir em frente sabendo que o investigado permanecia solto. Segundo Mila, a mulher demonstrou alívio ao saber da prisão.
Defesa afirma que caso tramita sob segredo de Justiça
Em nota assinada pelo advogado Thiago Alexandre Carneiro da Silva, a defesa confirmou a prisão preventiva do professor, mas ressaltou que o processo tramita sob segredo de Justiça.
Segundo o advogado, devido ao sigilo, a defesa está impedida de comentar o conteúdo do processo ou fornecer detalhes sobre a investigação.
A defesa afirmou ainda que “algumas das informações que circularam publicamente não correspondem aos elementos constantes do procedimento” e que a apuração dos fatos ocorrerá no âmbito da Justiça.
A nota também destaca que o professor é protegido pelo princípio constitucional da presunção de inocência e que a prisão preventiva possui caráter provisório, não representando uma condenação definitiva.
A Polícia Civil reforça que o inquérito permanece em andamento e que novas informações podem ser apresentadas às autoridades. Pessoas que tenham sido vítimas ou tenham conhecimento de possíveis crimes envolvendo o investigado podem procurar a Polícia Civil para prestar depoimento.
Fonte: g1 Santarém
