quinta-feira, abril 18, 2024

Programa “Entre Elas” amplia atendimento e oferece vários benefícios a mulheres vítimas de violência

Criado em 2020 pelo Governo do Pará, o Programa “Entre Elas” acolhe mulheres vítimas de violência doméstica. Uma equipe de profissionais capacitados oferece um espaço seguro para compartilhar as vivências dessas mulheres e enfrentar os problemas. Desenvolvido pela Fundação ParáPaz, a iniciativa vai além do atendimento emergencial pós-violência, realizando uma busca ativa por mulheres em situação de vulnerabilidade social em rodas de conversa na Região Metropolitana de Belém e cidades do interior.

Chefe da Procuradoria Jurídica da Fundação e coordenadora do programa, a delegada Claudilene Maia confirma que houve alteração na metodologia do “Entre Elas” para garantir a ampliação do alcance. “Sempre contamos com uma equipe multidisciplinar de acolhimento, formada por assistentes sociais, psicólogos e advogados. O que mudou é que, agora, nós fazemos não apenas o acolhimento relacionado à violência, mas de mulheres em condição de vulnerabilidade social, que são aquelas que não têm condição de prover a própria subsistência. O Estado tem o poder e dever de canalizar essas demandas. Então, a gente trabalha, por exemplo, com uma pauta que visa atender de forma intersetorial”, detalha a coordenadora.

Isso significa que, além do atendimento humanizado, o trabalho visa quebrar o ciclo da violência não somente física. “Com políticas públicas de acesso à habitação, ao empreendedorismo, à renda, à assistência jurídica gratuita, bem como em parcerias com ONGs privadas, a gente consegue ir além do eixo da Segurança Pública”, explica a delegada Claudilene Maia.

Acesso – O principal meio de acesso ao “Entre Elas” é pelas rodas de conversa que o ParáPaz proporciona, principalmente nas Ações Cidadania que o governo do Estado realiza em todos os municípios.

Já foram registrados mais de 740 atendimentos, em 18 ações promovidas. Na Região Metropolitana de Belém, 348 mulheres participaram do bate-papo, e nos municípios do interior, 397 foram atendidas. Dependendo da cidade, em cada ação o programa promove de três a cinco rodas de conversa, geralmente com dez a 12 mulheres, mas o público já chegou a 20, em algumas ocasiões.

Moradia e emprego – A Companhia de Habitação do Pará (Cohab) já firmou parceria para levar os benefícios do Programa Sua Casa e a essas mulheres, por meio da concessão de recursos para reforma, construção e ampliação de imóveis. A Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster) também atende mulheres em situação de vulnerabilidade, na faixa etária de 19 a 24 anos, com o Programa Primeiro Ofício, que garante inserção no mercado de trabalho.

O presidente da Fundação ParáPaz, Alberto Teixeira, destaca a importância do atendimento amplo à mulher vítima de algum tipo de agressão. “Este é um projeto que tem por objetivo a interação entre mulheres assistidas pelo projeto com uma equipe multidisciplinar. Não se discute só a violência, mas o direcionamento dessas mulheres, nas questões de ordem social, seja na oportunidade de ter casa, assistência psicológica, de terem fonte de renda, uma série de direcionamentos”, reforça Alberto Teixeira.

“Trouxe vida” – Vítima de estupro assistida pelo projeto, que prefere não se identificar, conta que o apoio recebido no “Entre Elas”, inclusive para garantir uma profissão, está fazendo a diferença em sua nova rotina. “Além da assistência psicológica, que é muito necessária e está me ajudando muito, estão me ajudando na busca de um curso, uma formação, para que eu possa trabalhar”, relata a jovem.

Marília Martovicz, também assistida pela equipe do “Entre Elas” reconhece a importância do apoio em um momento de enorme angústia. “Sabe quando você está desacreditada, e acha que não tem mais forças? Esse projeto me trouxe vida. Saí de uma situação de depressão e muito desespero, de me sentir só. Me deram as mãos, e estou conseguindo avançar. Não sei o que seria de mim se não fosse esse apoio. Fizeram toda a diferença na minha saúde emocional”, afirma a beneficiada.

Por Carol Menezes (SECOM)
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