Uma imagem de satélite da NASA, registrada na sexta-feira (9), revelou uma extensa camada de fumaça cobrindo Manaus e outras áreas do Amazonas. O cenário é consequência do avanço das queimadas na região, que têm comprometido a qualidade do ar e provocado preocupação entre moradores e autoridades de saúde.
O registro foi consultado por meio da plataforma Worldview, que permite acompanhar imagens de satélite da Terra. Na imagem, a fumaça aparece em tons acinzentados, espalhada por uma grande extensão territorial.
Segundo a plataforma internacional IQAir, Manaus registrou, pelo segundo dia consecutivo, a pior qualidade do ar do Brasil. Por volta das 5h de sexta-feira, o Índice de Qualidade do Ar (AQI) chegou a 366, nível considerado perigoso. A concentração de partículas finas PM2.5 atingiu 258,2 microgramas por metro cúbico.
Diante da situação, a Defesa Civil emitiu um alerta severo, orientando a população a evitar a exposição prolongada à fumaça e utilizar máscaras de proteção ao sair de casa. Instituições de ensino também suspenderam atividades presenciais na capital.
Fumaça provoca atendimentos de urgência
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), foram registrados 82 atendimentos de urgência relacionados aos possíveis efeitos da fumaça entre os dias 1º e 8 de outubro. Desde julho, o monitoramento contabiliza 375 atendimentos na capital.
Entre os principais sintomas relatados estão falta de ar, tosse, irritação na garganta, dor de cabeça, tontura e fadiga. A secretaria ressalta que os dados ainda estão sendo analisados e não permitem, isoladamente, estabelecer uma relação direta entre a fumaça e todos os atendimentos.
Incêndios avançam pelo interior do Amazonas
Além de Manaus, outros municípios enfrentam os impactos das queimadas. Em Itacoatiara, a fumaça também comprometeu a qualidade do ar, com registros de concentrações elevadas de partículas poluentes.
Um incêndio na região do Lago do Canaçari chegou ao 20º dia, atingindo aproximadamente 1,3 mil hectares. Equipes de combate e moradores trabalham para conter as chamas, com apoio de uma aeronave.
Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontaram 46 novos eventos de fogo entre os dias 4 e 7 de outubro.
A situação reforça o alerta sobre os impactos ambientais e os riscos à saúde provocados pelas queimadas durante o período de estiagem na Amazônia, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Fonte: G1
